nasceu em Uramujó, no
Pará, a 20 de dezembro de 1893. Filho de João Felício de Lisboa e Luzia Eudoxia de Sousa Lima Lisboa, fez o ginásio no Liceu Maranhense. Formou-se em Genebra em 1918. Defendeu a tese: “De La Valeur de l’ indicanemie em clinique”. Ainda, na Europa, foi médico dos Hospitais de Sangue da I Guerra Mundial. Retornando ao Brasil, foi um dos fundadores e catedrático da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará. Retornou ao Maranhão em 1919, tendo registrado seu diploma em nossa Saúde Pública, em 30 de abril de 1920.
Começou sua primeira campanha pela imprensa contra as doenças venéreas. Com a clareza e sinceridade características de toda a sua luta em prol da saúde do Maranhão, definiu a nossa nosologia venérea. Ainda no mesmo ano voltou-se contra a tuberculose e também contra o alcoolismo, a hanseníase e outras doenças tropicais. Não se esqueceu da higiene escolar, tendo sido uma de suas teses, no 1º. Congresso Brasileiro de Higiene. Comissionado pelo Governo Estadual percorreu o Sertão Maranhense estudando a sua flora medicinal. Durante esse longo percurso - do Itapecurú à Carolina - não se esquivou de atender doentes. Fez interessante herbário das plantas que, tecnicamente, lhe permitiram uma monografia - As plantas medicinais do Sertão Maranhense - na qual descreve centenas de plantas, indo da Parianda dulcis ao Croton fulvus.
Possuía sólidos conhecimentos de Química e de Física. Foi lente de Química do Liceu Maranhense. Os seus conhecimentos de Física são revelados pelo grande instrumental fisioterápico de seu consultório, pela
segurança com que manejava os Raios X e particularmente pela notável aperfeiçoamento do electrovibrador de Bergonié e da invenção do aparelho de choque elétrico, muito tempo usado no Hospital Colônia Nina Rodrigues.
O electrovibrador de Filogônio Lisboa foi inaugurado com êxito, na Santa Casa, numa intervenção realizada por Tarquínio Lopes e Carlos Macieira, em presença do inventor. O Electrovibrador localizava com precisão corpos estranhos no interior da massa muscular, mesmo nos casos de ineficácia dos raios de Raontagen. O aparelho de choque elétrico era portátil e simples e proporcionou aos psiquiatras do Hospital Nina Rodrigues, a vantagem de minorar o sofrimento dos doentes.
Embora caiba ao Dr. Anibal de Pádua a glória de haver introduzido os Raios X em nossa terra, Filogônio foi o segundo a trabalhar com esse raio, entre nós. Mais tarde, fez na Alemanha (Hamburgo) um curso de radiologia, sem auxílio financeiro de Estado.
Foi um dos fundadores e catedráticos de nossa Escola de Farmácia, tendo sido o primeiro a publicar uns apontamentos para seus alunos de Toxicologia: - além de lecionar sem remuneração. Seu livro, “Lições de Toxicologia,” muito contribuiu para facilitar o estudo dessa ciência. No prefácio desta obra prometia outro volume, contendo um ponto sobre alcalóides glicosídios e produtos não classificados e também a parte prática do curso, isto é, guia das manipulações de toxicologia para uso dos farmacêuticos.
Teve participação ativa no combate de todas as epidemias aparecidas em São Luís, durante a sua existência profissional, especialmente como sanitarista, Escreveu uma monografia sobre “O surto de peste no Codozinho”. Pode ele concluir da eficácia das medidas adotadas para o controle da doença, considerando desnecessário o despovoamento das cidades, como aconteceu na epidemia de 1903.
Posteriormente, em 1926, surge a varíola. Filogônio Lisboa, volta a esclarecer à população a respeito da epidemia, e das reais vantagens da vacina. Filogônio muito se bateu pelo melhoramento de nossa assistência hospitalar, promovendo com outros colegas, a fundação de um Hospital Operário. Foi representante do Maranhão no Primeiro Congresso Brasileiro de Higiene, tendo levado além de sua colaboração pessoal, outros trabalhos de colegas da Saúde. A sua colaboração consta de dois trabalhos: - Mortalidade no Maranhão e Organização dos Serviços de Enfermeiras no Maranhão.
Procurou, por todos os meios, dignificar a pessoa e a profissão de enfermeira, perante o médico e a sociedade. Foi um dos fundadores da Escola de Enfermagem e Partos do Instituto de Assistência à Infância do Maranhão e da Escola de Enfermeiras e Parteiras do Maranhão, na qual segundo ele: “sendo todos os serviços de enfermagem feitos no Hospital de Profilaxia, no qual além dos doentes de Medicina e Cirurgia hospitalizados, se fazia diariamente em média de 70 curativos, assim como numerosas injeções em doentes que freqüentavam os dispensários de hanseníase e de doenças venéreas”. Homem de vasta cultura técnica e humanística adquirida em diferentes cidades da Europa, principalmente em Paris, deixou para o Maranhão uma grande contribuição à saúde preventiva, como excelente sanitarista que foi.