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Cadeira nº 27

Maria do Socorro Moreira de Sousa

Fundadora e 1º Ocupante · Patrono: Luís Alfredo Neto Gutterres

Retrato de Maria do Socorro Moreira de Sousa

Fotografia publicada nos Anais da AMM.

Biografia

Filha de Raymundo Moreira de Sousa e Arácea Fernandes de Sousa, a Dra. Socorro nasceu no dia 22 de outubro de 1932, em São Luís - MA.

Fez o Jardim de Infância, no Jardim “Antônio Lobo”. Cursou o primário na Escola de São Luís Gonzaga, o Ginásio e Cientifico no Colégio São Luís. Em 1953, foi aprovada no exame Vestibular para a Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil no Rio de Janeiro cujo curso concluiu, em 1958. Durante o curso médico estagiou na Maternidade Carmela Dutra (Lins de Vasconcelos), sob orientação do renomado obstetra, Prof. Dr. Jorge de Rezende; na Maternidade “Casa da Mãe Pobre” (Rocha) e na Maternidade-Escola (Laranjeiras).

Regressando a São Luís, em 1959, instalou consultório na Rua Afonso Pena, 131 - Centro (sua residência). Em 1971 transferiu o consultório para Rua Osvaldo Cruz 440/sala

310. Edifício Itacolomi - Centro, onde permaneceu até o encerramento de suas atividades, 1989. Em 1976, introduziu no consultório pela primeira vez em São Luís o uso de Estetoscópio Fetal Ultrassônico com amplificador para aprimorar o atendimento às gestantes.

Recebeu em 1970, o titulo de Ginecologista e Obstetra (TEGO), conferido pela Associação Médica Brasileira e Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia do Brasil (FEBRASGO). Frequentou, em 1975, com assiduidade e aproveitamento o Curso de Especialização em Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob orientação do Prof. Dr. Jorge de Rezende, titular de Obstetrícia e Diretor da Maternidade Escola. Período 01 ano. No exercício do Magistério, foi nomeada, em 1960, Assistente da Cadeira de Fisiologia da Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão . transferida depois, em 1965, para o Departamento de Tocoiatria - Cadeira de Obstetrícia portaria. Promovida a classe de Professor Adjunto do Departamento de Medicina III, do Centro de Ciências da Saúde/UFMA solicitou aposentadoria após 30 anos de atividades docentes.

Na longa atividade médica foi nomeada obstetra do IAFESP posteriormente cedida para a Previdência

Social, com lotação no Hospital “Presidente Dutra” (atual) Hospital Universitário. Ali, exerceu suas atividades no Ambulatório de pré-natal e plantões na Maternidade e Serviço de Urgência e, por três anos, o cargo de 1B Assistente de Diretor, com lotação no Hospital Materno Infantil (atual Unidade Materno Infantil - UFMA). Trabalhou, ainda, na Secretaria de Saúde do Estado, onde dirigiu a Maternidade Marly Sarney, na COHAB, e a Benedito Leite, no centro. Chefiou, também, a Maternidade do Hospital “Carlos Macieira” do Instituto dc Previdência do Estado do Maranhão - IPEM.

Com uma vasta atividade profissional demonstrada em inúmeros Congressos, Jornadas, em livros e trabalhos publicados e alvo de muitas homenagens e condecorações, a Dra. Socorro participa dc muitas Sociedades Científico - Culturais: Colégio Brasileiro de Cirurgiões - Capítulo MA, Sociedade de Ginecologia c Obstetrícia do Rio de Janeiro, Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Maranhão, Sociedade de Medicina e Cirurgia do Maranhão, Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) e ocupa, como membro fundador e titular da Academia Maranhense de Medicina, a Cadeira N° 27, patroneada pelo ilustre médico, Dr. Luís Alfredo Netto Guterres.

Fonte: Anais da Academia Maranhense de Medicina

Memória da Cadeira nº 27

Patrono

Luís Alfredo Neto Gutterres

Nasceu em

Alcântara, no dia 04 de abril de 1880. Filho de Antônio Celestino Ferreira Gutenes e de Joaquina Netto Gutenes.

Estudou o curso primário em Alcântara e Pinheiro e o ginasial, em São Luís, no Ginásio Coqueiro e no Liceu Maranhense, de gloriosas tradições. Aprovado com distinção no vestibular da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (Praia Vermelha), concluiu o curso em 1905. Em 1902 já havia concluído o curso de Farmácia. Interno do renomado pediatra do Rio de Janeiro, Professor Barata Ribeiro, na Santa Casa de Misericórdia. estudou e pesquisou desde o terceiro ano, o objeto de sua tese, raríssima na época, retratava a “Conformação Ano-Rectaes Congênitos e seu tratamento”. A tese que ofereceu ao Maranhão, é um primor de trabalho e de conhecimentos.

Regressando a São Luís dedicou-se à clinica e a exerceu com extraordinário devotamento e admirável desprendimento para com os mais necessitados, a ponto de ser cognominado “O Médico dos Pobres”.

Casou-se, no dia 8 de dezembro de 1906, com D. Leonor Passos Netto Guterres, de cujo consórcio nasceram os filhos: Joaquina Rosa, Vicente de Paulo e Conceição de Maria. Ao lado da Farmácia São Vicente de Paulo (prédio sito à Rua Grande, nB 807, esquina com a Rua do Passeio) da qual era sócio-proprietário instalou o seu consultório, onde exerceu durante quase 30 anos, em sua plenitude, o sacerdócio de sua profissão. Os carentes não pagavam e recebiam os remédios que eram retirados de sua farmácia. Exerceu vários cargos na vida publica: médico do 24a Batalhão de Caçadores, do Matadouro

Municipal (onde evitou uma epidemia de carbúnculo), do pronto-socorro, da saúde do Município e do Estado, onde trabalhou para debelar as epidemias de varíola, peste bubônica e gripe espanhola, sem receber qualquer remuneração extra.

Magnífico clinico, cirurgião geral, pediatra, dermatologista, ginecologista e obstetra, foi sem duvida, o iniciador da Medicina Social em nosso Estado e no Brasil, juntamente com Dr. Paterson, médico inglês radicado, em Salvador (BA), conforme afirma o Dr. Achilles Lisboa, no opúsculo “Pro Dignitate Medicinae”. Criador da Ia Escola de Enfermagem, de nossa capital, no Hospital Geral, a sua ultima iniciativa foi fundar a Maternidade na Ia enfermaria que veio se chamar Netto Guterres após sua morte.Netto Guterres, o bom e modesto mestre, lia e traduzia latim, Francês, Inglês e Alemão.

Faleceu no dia 20 de junho de 1934. A sua morte decorrente de septicemia, uremia e encefalite, na plenitude de seus 54 anos, exigiram do Dr. Netto Guterres uma postura estóica pelos longos dias e intermináveis noites de sofrimento. Teve assistência de todos os colegas, amigos e maranhenses em romaria. Nas fases de lucidez, recordava o “Lazareto do Gavião”, pouso de sua ultima iniciativa caridosa: o complicado partejar de uma leprosa, cujo estado de saúde inspirava cuidados especiais (já desenganada pelos médicos daquele nosocômio), a quem Netto Guterres salvou após laboriosa cirurgia e também a criança, que foi enviada ao “Preventório Santo Antônio” (hoje, Educandário Santo Antônio).

Seu enterro foi uma consagração. Chovia. A população se deslocou para a rua formando uma massa humana, desde a Rua do Alecrim até o Cemitério Gavião, numa homenagem àquele de quem tantos benefícios recebera.

Retrato de Maria dos Remédios Freitas Carvalho Branco

2º Ocupante

Maria dos Remédios Freitas Carvalho Branco

Nasceu em 31 de dezembro de 1962, no município de Pedreiras, no estado do Maranhão, filha de José Ribamar Carvalho Branco e Rocilda Gomes Freitas.

Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão em 1986. Especializou-se na área de Infectologia, na qual construiu sólida trajetória profissional.

Atua como médica infectologista em consultório particular em São Luís–MA, dedicando-se ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças infecciosas. Ao longo de sua carreira, esteve na linha de frente de diversas epidemias, enfrentando os desafios clínicos e epidemiológicos associados a essas enfermidades.

Paralelamente à prática assistencial, desenvolveu intensa atuação acadêmica. Atualmente, é docente do curso de Medicina do Centro Universitário Unidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB). Foi professora titular da

Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde lecionou disciplinas relacionadas às doenças infecciosas e à epidemiologia, contribuindo significativamente para a formação de novos profissionais de saúde.

Sua trajetória também é marcada pela dedicação à pesquisa científica, com estudos voltados para doenças como dengue, Zika, chikungunya e COVID-19, além de investigações sobre o beribéri e a influência de determinantes sociais, como alimentação, condições de moradia e acesso à saúde, no risco de doenças infecciosas.