Patrono
Luís Alfredo Neto Gutterres
Nasceu em
Alcântara, no dia 04 de abril de 1880. Filho de Antônio Celestino Ferreira Gutenes e de Joaquina Netto Gutenes.
Estudou o curso primário em Alcântara e Pinheiro e o ginasial, em São Luís, no Ginásio Coqueiro e no Liceu Maranhense, de gloriosas tradições. Aprovado com distinção no vestibular da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (Praia Vermelha), concluiu o curso em 1905. Em 1902 já havia concluído o curso de Farmácia. Interno do renomado pediatra do Rio de Janeiro, Professor Barata Ribeiro, na Santa Casa de Misericórdia. estudou e pesquisou desde o terceiro ano, o objeto de sua tese, raríssima na época, retratava a “Conformação Ano-Rectaes Congênitos e seu tratamento”. A tese que ofereceu ao Maranhão, é um primor de trabalho e de conhecimentos.
Regressando a São Luís dedicou-se à clinica e a exerceu com extraordinário devotamento e admirável desprendimento para com os mais necessitados, a ponto de ser cognominado “O Médico dos Pobres”.
Casou-se, no dia 8 de dezembro de 1906, com D. Leonor Passos Netto Guterres, de cujo consórcio nasceram os filhos: Joaquina Rosa, Vicente de Paulo e Conceição de Maria. Ao lado da Farmácia São Vicente de Paulo (prédio sito à Rua Grande, nB 807, esquina com a Rua do Passeio) da qual era sócio-proprietário instalou o seu consultório, onde exerceu durante quase 30 anos, em sua plenitude, o sacerdócio de sua profissão. Os carentes não pagavam e recebiam os remédios que eram retirados de sua farmácia. Exerceu vários cargos na vida publica: médico do 24a Batalhão de Caçadores, do Matadouro
Municipal (onde evitou uma epidemia de carbúnculo), do pronto-socorro, da saúde do Município e do Estado, onde trabalhou para debelar as epidemias de varíola, peste bubônica e gripe espanhola, sem receber qualquer remuneração extra.
Magnífico clinico, cirurgião geral, pediatra, dermatologista, ginecologista e obstetra, foi sem duvida, o iniciador da Medicina Social em nosso Estado e no Brasil, juntamente com Dr. Paterson, médico inglês radicado, em Salvador (BA), conforme afirma o Dr. Achilles Lisboa, no opúsculo “Pro Dignitate Medicinae”. Criador da Ia Escola de Enfermagem, de nossa capital, no Hospital Geral, a sua ultima iniciativa foi fundar a Maternidade na Ia enfermaria que veio se chamar Netto Guterres após sua morte.Netto Guterres, o bom e modesto mestre, lia e traduzia latim, Francês, Inglês e Alemão.
Faleceu no dia 20 de junho de 1934. A sua morte decorrente de septicemia, uremia e encefalite, na plenitude de seus 54 anos, exigiram do Dr. Netto Guterres uma postura estóica pelos longos dias e intermináveis noites de sofrimento. Teve assistência de todos os colegas, amigos e maranhenses em romaria. Nas fases de lucidez, recordava o “Lazareto do Gavião”, pouso de sua ultima iniciativa caridosa: o complicado partejar de uma leprosa, cujo estado de saúde inspirava cuidados especiais (já desenganada pelos médicos daquele nosocômio), a quem Netto Guterres salvou após laboriosa cirurgia e também a criança, que foi enviada ao “Preventório Santo Antônio” (hoje, Educandário Santo Antônio).
Seu enterro foi uma consagração. Chovia. A população se deslocou para a rua formando uma massa humana, desde a Rua do Alecrim até o Cemitério Gavião, numa homenagem àquele de quem tantos benefícios recebera.

