Patrono
Oscar Lamagnere Leal Galvão
Nasceu em Cantanhede, Maranhão, em 24 de abril de 1852, descendente da tradicional família Lamagnère, de origem francesa, estabelecida no estado desde o período pombalino, quando seus antepassados se consolidaram entre a elite proprietária e ligada ao poder local.
Contraiu matrimônio com Ana Gertrudes do Lago Galvão e fixou-se em São Luís, onde passou a exercer a medicina a partir de 1877, destacando-se em um contexto de escassez de profissionais de saúde e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento sanitário da capital maranhense.
Em 1888, integrou a Inspetoria de Higiene do Maranhão e colaborou ativamente com o Serviço Extraordinário de Higiene, função que desempenhou com dedicação e reconhecida competência. No ano de 1890, foi nomeado médico adjunto da Guarnição de Pernambuco e também exerceu o cargo de médico da cadeia pública da capital e do Corpo Militar de Polícia. Paralelamente à prática médica, dedicou-se à produção intelectual, escrevendo versos e poesias publicados em jornais, sendo mencionado em obra literária relacionada ao escritor maranhense Trajano Galvão de Carvalho.
No campo educacional, destacou-se como professor de História Natural e, em 1899, assumiu interinamente a cátedra de Botânica, Zoologia e Geologia do Liceu Maranhense. Em 1921, respondeu pela direção da instituição, ocasião em que defendeu a implantação de um sistema uniforme de saúde escolar, evidenciando sua constante preocupação com a educação, a higiene e o bem-estar coletivo.
Atuou como médico da Sociedade Mutuária Providência entre 1908 e 1909 e teve papel central na organização da classe médica maranhense ao participar da fundação da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Maranhão, em 16 de abril de 1914, da qual foi o primeiro presidente.
Ao longo de sua trajetória, exerceu funções públicas de grande relevância, como Diretor do Serviço Sanitário do Maranhão e Inspetor de Saúde Pública, atuando em meio a graves crises epidemiológicas, como as recorrentes epidemias de varíola e a gripe espanhola de 1918. Diante da precariedade das condições sanitárias, em uma capital com pouco mais de cinquenta mil habitantes assistidos por apenas trinta e três médicos, incentivou a reorganização da Sociedade de Medicina em 1920, promovendo o debate de estratégias voltadas ao enfrentamento das carências sanitárias e ao intercâmbio científico entre os profissionais.
Sua saúde foi seriamente comprometida após atender uma paciente acometida por hanseníase em condições adversas típicas do exercício médico da época, circunstância que contribuiu para o agravamento de seu estado clínico. Faleceu em São Luís, em 11 de novembro de 1923, deixando um legado marcado pela dedicação à medicina, à saúde pública, à educação e ao fortalecimento institucional da classe médica no Maranhão.
