nasceu em berço
de ouro e usufruiu de todas as vantagens que a boa situação financeira é capaz de proporcionar àqueles que querem crescer e fincar seu nome na história. Filho do rico e renomado oftalmologista Tarquínio Brasileiro Lopes e de Rosa Laura Leite Lopes, veio ao mundo em 15 de outubro de 1885, no espaçoso e confortável casarão dos Lopes, à Rua Zaque Pedro, no centro da capital maranhense. Ele contou com excelentes mestres nas fases iniciais da vida escolar: estudou no Colégio Rosa Nina e com o educador José Ribeiro do Amaral.
Aos 11 anos, partiu para o Rio de Janeiro, a fim de estudar no recém-criado Colégio Militar, e, aos 16 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ele concluiu o curso em 21 de janeiro de 1909, defendendo o estudo dos aneurismas artério-venosos.
Iniciou as atividades médicas somente depois de ir a Paris, França, realizar cursos de aperfeiçoamento junto a especialistas de grande renome. Na capital francesa, Tarquínio Lopes Filho casou-se com Leonor Xavier Lopes, no dia 10 de julho de 1909. O casal teve apenas um filho, Tarquínio José Xavier Lopes, nascido a 2 de janeiro de 1912, o qual seguiria os passos do avô e do pai, tomando-se médico. De volta à capital maranhense, no final de 1909, inicia as atividades profissionais, primeiro clinicando em seu consultório, na Rua da Estrela,
e, depois, prestando serviços médicos na Santa Casa de Misericórdia, onde realizou dezenas de cirurgias. As intervenções cirúrgicas que realizou ao longo de sua vida profissional alçaram-no à posição de um dos virtuoses das artes médicas deste pedaço do Brasil. Algumas de suas cirurgias ficaram famosas, e seu nome avançou pelos estados vizinhos, de onde vinham doentes esperançosos de encontrar a cura pelas mãos do cirurgião superdotado.
Tarquínio Lopes Filho era um realizador inquieto, que não poupou esforços para mudar a realidade de sua cidade e de seu Estado, envolvendo-se em atividades não só distintas, mas também complexas. Além de médico dos mais talentosos, Tarquínio Filho foi político, jornalista, administrador de negócios privados e públicos, professor universitário, diretor de agremiações esportivas. Sem considerar outras atividades relevantes, que tomaram tempo e energias do insigne maranhense, como, por exemplo, as de presidente de partidos políticos (o Partido Democrático Maranhense, o Partido Socialista), sua participação no esforço pela criação da Faculdade de Medicina do Maranhão, entre os anos de 1925-1926, e nas atividades para a implantação do Sindicato Médico do Maranhão.
Em 1909, ele deu os primeiros passos no campo da política. Em 1913, consegue se eleger deputado estadual, e é reconduzido ao posto em nova eleição, para o biênio 1916-1918. O desempenho parlamentar de Tarquínio Lopes Filho foi, desde o início de sua caminhada política, marcado pela clara posição de confronto com os grupos de apoio ao Executivo Estadual.
Não poupou críticas acerbas aos governadores maranhenses, nem deixou de atacar, do alto da tribuna da Assembleia Legislativa, os políticos da Situação.
Em 1922, da tribuna da Assembleia Legislativa, ele contestou a eleição do governador Godofredo Viana, a quem fez severa oposição. Em abril de 1922, Tarquínio Filho, ao lado de Rodrigo Otávio e Leôncio Rodrigues, depuseram o governador Raul Machado num golpe poucas horas depois sufocado. Em razão desse golpe, Tarquínio Filho foi preso e processado. Ele voltaria a ser preso em 1929, por críticas ofensivas, publicadas na Folha do Povo, ao general João Gomes, comandante do Exército, no governo Arthur Bernardes.
Em 28 de julho de 1923, ele criou a Folha do Povo, jornal político, que daria sustentação ao seu trabalho de parlamentar. O seu jornal funcionaria por dez anos, até 10 de junho de 1933. A última eleição de que participou foi a de 1936, para o biênio 1937-1939, da qual saiu eleito. Ele foi eleito, neste interstício, presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão. Esteve comprometido também com a fabricação e comercialização de remédios. Produziu o Elixir antidispéptico e as Pílulas Antissezonáticas. Essas atividades exigiam também do cirurgião e político maranhense habilidades de administrador, tais como fórmulas, produção, envasamento, publicidade e comercialização.
Além disso, Tarquínio Filho esteve envolvido, até a alma, com o desporto. O famoso médico foi, sucessivas vezes, diretor e vice-presidente do clube de futebol Sport Luso Brasileiro, que conquistou, em sua administração, oito títulos maranhenses.
Tarquínio Filho foi, ainda, presidente da Associação Maranhense de Esportes Atléticos (AMEA), cargo que deixou por interferência política do governador Magalhães de Almeida. Já mais velho e experiente, Tarquínio Lopes Filho ocupou o posto de Diretor Geral do Departamento de Saúde e Assistência do Maranhão, no governo Paulo Ramos, durante o Estado Novo, em que tomou medidas consistentes visando à saúde pública.
Tarquínio Lopes Filho faleceu em 9 de junho de 1945, em Niterói, Rio de Janeiro, vítima de paralisia geral e complicações cardiovasculares. Ele foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. A vida e as realizações desta personagem inapagável da história maranhens motivaram-nos a produzir o livro Tarquínio Brasileiro Filho: médice político, jornalista, administrador que virou mito, que está em fase fina de pesquisa.